Tarifas de importação protegem a indústria nacional da concorrência externa, mas também podem encarecer insumos importados usados por outros setores — uma tensão clássica de política comercial.

Política Comercial

Tarifas de importação: o que são e como afetam a indústria nacional

Por contato@joseaguiar.com.br · setembro 11, 2026

Documentos e carimbos de despacho aduaneiro

Tarifa de importação — tecnicamente chamada de Imposto de Importação (II) no Brasil — é o tributo cobrado sobre um produto estrangeiro ao entrar no país.

O que é o Imposto de Importação e como ele é definido

A alíquota varia por código NCM e é definida, em grande parte, pela Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, com exceções negociadas caso a caso entre os países-membros.

Proteção para um lado, custo para o outro

O raciocínio por trás de uma tarifa é duplo. De um lado, ela é fonte de arrecadação. Do outro — e geralmente o motivo mais debatido — ela funciona como proteção: encarecer o produto importado torna o equivalente nacional mais competitivo em preço, protegendo empregos e produção doméstica em setores considerados estratégicos ou sensíveis.

O contraponto também é conhecido: tarifas mais altas sobre insumos e bens de capital (máquinas, componentes) encarecem a produção de quem os usa como matéria-prima. Uma tarifa pensada para proteger um setor pode, ao mesmo tempo, encarecer a cadeia de outro que depende daquele insumo importado.

Por que mudanças de tarifa mexem com os números de comércio exterior

Mudanças de tarifa — elevações, reduções, cotas de importação, acordos bilaterais — costumam gerar movimento imediato nos números de comércio exterior do setor afetado. É um dos motivos pelos quais acompanhamos política comercial lado a lado com os dados brutos de exportação e importação: o número, sozinho, raramente conta a história toda.

Tarifa média por setor industrial

A tarifa de importação varia bastante entre setores. Entre os que acompanhamos, Têxtil e Confecção tem a maior proteção tarifária média (25,2%), enquanto Química e Petroquímica tem a menor (4,8%).

TEC média por setor industrial (Resolução Gecex nº 272/2021, Anexo I)
Setor TEC média
Têxtil e Confecção 25,2%
Veículos e Autopeças 17,4%
Máquinas e Equipamentos 15,9%
Máquinas Elétricas e Eletrônicos 15,5%
Instrumentos de Precisão e Ótica 13,6%
Siderurgia e Metalurgia 10,8%
Plásticos e Borracha 9,9%
Minerais Não Metálicos, Vidro e Cerâmica 9,9%
Madeira, Papel e Celulose 8,8%
Química e Petroquímica 4,8%