O Brasil depende fortemente de rodovias para levar produção ao porto, um modal mais caro que ferrovias — um dos fatores por trás do chamado Custo Brasil logístico.
Logística
Portos, ferrovias e rodovias: os gargalos logísticos do comércio exterior brasileiro
Colocar um produto brasileiro no exterior não depende só de produzir com competitividade — depende também de tirá-lo do país. E aqui o Brasil enfrenta um obstáculo estrutural conhecido: o chamado “Custo Brasil” logístico.
O que é o Custo Brasil logístico
É o termo usado para descrever o conjunto de custos extras que a estrutura brasileira de transporte e burocracia impõe à produção nacional, encarecendo o produto antes mesmo de ele chegar ao comprador estrangeiro.
Uma matriz de transporte desequilibrada
A matriz de transporte brasileira é fortemente concentrada em rodovias, um modal mais caro por tonelada transportada em longas distâncias do que ferrovias ou hidrovias — a matriz predominante em países com geografia comparável, como Estados Unidos e Austrália. Para muitas cargas industriais, o trajeto do interior até o porto de embarque pode representar uma fatia significativa do custo total da operação.
Portos: produtividade desigual e gargalos sazonais
Nos portos, a produtividade também é heterogênea: alguns terminais brasileiros operam em padrão internacional, enquanto outros enfrentam filas, burocracia documental e limitações de capacidade em períodos de pico de exportação — especialmente durante a safra de grãos, quando a disputa por espaço nos portos do Sul e Sudeste se intensifica e afeta indiretamente cargas industriais que dividem a mesma infraestrutura.
Investimentos em ferrovias e em modernização portuária aparecem recorrentemente nas agendas de política industrial: cada ponto percentual de redução no custo logístico se traduz diretamente em competitividade para o produto industrial brasileiro lá fora.