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Acabou a vigília

Saturday, March 7th, 2009

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Ontem vi Watchmen. Ontem vi no cinema quem vigia os vigilantes. Gostei. Com ressalvas, mas gostei em especial da primeira metade do filme. Minha maior ressalva é que o filme possui 40 minutos a mais do que foi exibido no cinema. Isso se reflete na narrativa acelerada da segunda metade da produção. Coisas meio jogadas que, provavelmente fazem mais falta ainda para quem não leu. Enfim, ver a obra completa só em DVD é sacanagem com o expectador. Pelo menos com aquele  interessado em usufruir de um filme  pleno e diferente do usual.

Não é o caso de um trio indignado que saiu da sala onde eu estava, batendo a porta e gritando: “Que porra é essa?”

Watchmen é um quadrinho fora do convencional, cuja influência é sentida no imaginário pop até hoje. Ou você acha que boa parte das idéias legais do desenho animado Os Incríveis, ou mesmo do seriado Heroes, vieram de onde?  Agora, com o filme, os personagens ganham um projeção nunca antes imaginada para eles. Watchmen era considerado infilmável. Poderia ter sido um filme medíocre e tornou-se um filme singular, diferente. Quase fazendo jus ao original. De certa forma, hoje posso dizer que entendo melhor como se sentiram os fãs ardorosos de Senhor dos Anéias com relação as mudanças da adaptação cinematográfica.

Hoje talvez algumas pessoas descubram quem é o Coruja, o Dr. Manhatan e Rorschach, o carismático sociopata que tem o hábito de fraturar dedos da marginália.  As fotos que ilustram este post remontam 1998. Minha namorada iria se formar em Artes Cênicas com uma festa a fantasia. Eu queria ir incógnito, vestido como um personagem que ninguem conhecesse. Rorschach foi minha escolha. Ela fez a máscara e fomos à luta. Foi muito divertido ser um vigilante mascarado por uma noite. Minha máscara sem olhos perturbava as pessoas a ponto de ouvir frases como: “Eu não sei pra onde você está olhando!” ou “Isso me perturba!”. Até uma criança caiu no choro de medo do Rorschach fajuto aqui. Era quente, mas valeu a pena.

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Na foto acima,  a extraordinária liga daquele baile: Liber (em sua identidade secreta de Liber), eu (prestes a partir os dedos desse folgado), Fer ( minha Betty Boop, não a Espectral, personagem de Watchmen), um judoca e uma cientista maluca. Na época a fantasia foi bem original. Tanto que emprestei a outros amigos mais tarde. Chegou um ponto em que, em prol da higiene, a máscara foi aposentada. Acho que Rorschach, mesmo com o filme, ainda continuará cult. Só um pouco mais conhecido. Mas na próxima festa à fantasia o jeito será buscar outro personagem obscuro para encarnar.

Dica: ontem, por sinal saiu uma matéria no jornal Folha de Londrina, onde o roteirista Gian Danton e eu demos depoimentos sobre Watchmen. Confira aqui.

Vá ao cinema, mas não deixe de ler o quadrinho de Watchmen. Vale muito a pena.