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“Lembra da WM?” ou “Eu e a dona bola…”

Monday, June 28th, 2010


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WM não é um carro e Pelé não aparece à toa neste post. Ele surgia em todos os intervalos dos jogos da WM (Fußball-Weltmeisterschaft) em 2006 para saudar as cidades com seu inglês intraduzível. Aqui eu o fotografei em ação no telão de Leipzig, cidade próxima a Berlim, onde morei naquele ano. Lá eu tive a oportunidade de estar em minha primeira Copa do Mundo. E quem diria: a dita iniciou justamente no dia de meu aniversário. Na época, um amigo me escreveu do Brasil algo mais ou menos assim: “LOGO VOCÊ, AÍ?”

Sim, o comentário descaradamente com dor-de-cotovelo vinha do fato de que eu, que sou assumidamente um não-torcedor estava lá, no olho do furacão. Saracoteando em praça pública e assistindo aos jogos de graça no telão em meio as torcidas rivais.  Mas eu não fui para lá com essa intenção. Já estava na Alemanha haviam alguns meses, estudando a língua e desenhando germanices. Mas por que não aproveitar? Essa foi a segunda Copa mais importante de minha vida. A primeira foi em 1982, quando eu tinha 07 anos de idade. Eu tinha quase todas as figurinhas de chiclete daquela Copa, todas ganhas no “Jogo de Bafo”. Minha “glória”  vinha do fato que não comprei nenhum chiclete naquele ano! Eu não gastava meus tostões com guloseimas. Já economizava para comprar gibi…

Minha coleção de fotos de jogadores feios, cujo fim ignoro, se fez antes das aulas e nos intervalos, quando meus colegas e eu nos digladiávamos, em rodas animadas de “Bafo” cada um com um saquinho de figurinhas em mãos. Não sabe o que é isso? Mão em concha, dava-se uma baforada para umedecê-la. Com um tapa ráprido tentava-se virar o máximo de figurnhas empilhadas pela turma… Era bacana, nada higiênico e só dava certo com aquelas figurinhas fininhas. Elas davam maior aderência e eram leves pra caramba! Anos depois vieram as auto-colantes e o esporte aos poucos foi morrendo na escola.

Ainda sobre a Copa de 82, confesso que chorei quando a seleção foi desclassificada. Creio que foi a última vez em que me importei de verdade com os dilemas futebolísticos, apesar de acompanhar por anos o compeonato  italiano, meio a contragosto ao lado do meu irmão futeboleiro, enquanto esperava minha vez de ver os desenhos animados de domingo na TV. De qualquer forma, mesmo que por osmose eu estava de “Olho no Lan-cê!” como dizia o Sílvio Luís, narrador rouco e muito mais divertido que um certo Galvão amado e odiado por tantos.

No fim das contas, não me tornei um sujeito anti-futebol. Só me incomoda a violência dentro e fora dos campos (sempre morei perto de estádios, o que é sinônimo de perigo…), a alienação de muita gente quando o assunto é o esporte bretão (não consigo chorar por um jogador milionário que faz corpo mole ou encarar uma derrota de um time como algo pessoal) e excesso de nacionalismo de chuteiras (vai me dizer que no 07 de setembro há tantas bandeirinhas por aí?).

Afinal, se valorizássemos nosso país não só na Copa, ou nos uníssemos em prol dele por outras razões que não churrasco e cerveja, não teríamos uma perspectiva melhor pela frente? Infelizmente, graças aos radicalismos a elas relacionados eu não consigo ser apaixonado pelas chuteiras e não tenho um “time do coração”. Mas concordo que é um esporte bonito, bom de jogar e divertido. E admito que, de quatro em quatro anos eu até dou uma olhadinhas nos jogos. Ontem até vi trechos de dois, nesta Copa violenta…

Mas, para não perder a tradição, fique com uma imagem dos torcedores alemães que conheci em 2006, que faz parte do meu projeto Reisetagebuch - Uma viagem Ilustrada pela Alemanha:

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