Acabou a vigília

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Ontem vi Watchmen. Ontem vi no cinema quem vigia os vigilantes. Gostei. Com ressalvas, mas gostei em especial da primeira metade do filme. Minha maior ressalva é que o filme possui 40 minutos a mais do que foi exibido no cinema. Isso se reflete na narrativa acelerada da segunda metade da produção. Coisas meio jogadas que, provavelmente fazem mais falta ainda para quem não leu. Enfim, ver a obra completa só em DVD é sacanagem com o expectador. Pelo menos com aquele  interessado em usufruir de um filme  pleno e diferente do usual.

Não é o caso de um trio indignado que saiu da sala onde eu estava, batendo a porta e gritando: “Que porra é essa?”

Watchmen é um quadrinho fora do convencional, cuja influência é sentida no imaginário pop até hoje. Ou você acha que boa parte das idéias legais do desenho animado Os Incríveis, ou mesmo do seriado Heroes, vieram de onde?  Agora, com o filme, os personagens ganham um projeção nunca antes imaginada para eles. Watchmen era considerado infilmável. Poderia ter sido um filme medíocre e tornou-se um filme singular, diferente. Quase fazendo jus ao original. De certa forma, hoje posso dizer que entendo melhor como se sentiram os fãs ardorosos de Senhor dos Anéias com relação as mudanças da adaptação cinematográfica.

Hoje talvez algumas pessoas descubram quem é o Coruja, o Dr. Manhatan e Rorschach, o carismático sociopata que tem o hábito de fraturar dedos da marginália.  As fotos que ilustram este post remontam 1998. Minha namorada iria se formar em Artes Cênicas com uma festa a fantasia. Eu queria ir incógnito, vestido como um personagem que ninguem conhecesse. Rorschach foi minha escolha. Ela fez a máscara e fomos à luta. Foi muito divertido ser um vigilante mascarado por uma noite. Minha máscara sem olhos perturbava as pessoas a ponto de ouvir frases como: “Eu não sei pra onde você está olhando!” ou “Isso me perturba!”. Até uma criança caiu no choro de medo do Rorschach fajuto aqui. Era quente, mas valeu a pena.

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Na foto acima,  a extraordinária liga daquele baile: Liber (em sua identidade secreta de Liber), eu (prestes a partir os dedos desse folgado), Fer ( minha Betty Boop, não a Espectral, personagem de Watchmen), um judoca e uma cientista maluca. Na época a fantasia foi bem original. Tanto que emprestei a outros amigos mais tarde. Chegou um ponto em que, em prol da higiene, a máscara foi aposentada. Acho que Rorschach, mesmo com o filme, ainda continuará cult. Só um pouco mais conhecido. Mas na próxima festa à fantasia o jeito será buscar outro personagem obscuro para encarnar.

Dica: ontem, por sinal saiu uma matéria no jornal Folha de Londrina, onde o roteirista Gian Danton e eu demos depoimentos sobre Watchmen. Confira aqui.

Vá ao cinema, mas não deixe de ler o quadrinho de Watchmen. Vale muito a pena.

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7 Responses to “Acabou a vigília”

  1. Sabrina Says:

    medo dessa foto, hein?

  2. Ulli Says:

    crianças são criaturinhas engraçadas, amam um dinossauro rosa de 2metros com sorriso colgate, mais tem medo de um homem sem rosto….

  3. adriano Says:

    na Minha opiniao o filme apenas comprova o fato:
    Watchmen eh infilmavel.

    O que o filme confirma saoa s qualidades unicas da linguagem de graphic novels que nao podem ser completamente traduzidas em 2 horas e meia.
    Eh apenas impossivel, o formato de blockbuster nao permite.

    Quem nao leu a hq nao vai compreender esse filme pelo simples fato:
    Nao existe tempo suficiente para absorver informacao.
    Quanta reflexao deveria ser dada para compreender a primeira Silk Spectre amar o Comediante?
    Ou a complexa relacao de tempo e espaco do Dr. manhattan?
    Existem motivos pelos quais a revista tem 32 paginas e 12 edicoes.

    Quem leu a hq, beleza, pode cultuar o filme de uma forma bem egoista tipo ‘azar quem nao leu entender isso’.
    Quem nao leu vai se sentir como um pato sendo preparado para Foie Gras:
    15 minutos para engolir tudo e sentir indigestao depois.

  4. adriano Says:

    A linguagem de cinema, especificante no formato blockbuster que exige cenas de acao impressionantes, eh contraria ao espirito da graphic novel Watchmen que se propoe a descontruir isso.
    O motivo de nao exisitr onomatopeias em Watchmen foi uma decisao mutua entre Moore e Gibbons para dar o carater de normalidade e ateh mesmo trivialidade ah acao. Torna-las casuais de forma a ressaltar o carater de normalidade com que os personagens lidam com isso.
    Isso nao pode ser feito num filme blockbuster, apenas nao seria permitido porque as sequencias de acao sao os money shots que vendem ingresso e sustentam o estudio ( o que eh compreensivel afinal veja quanto dinheiro gastaram para fazer o filme ).

    Esse filme apenas confirma as qualidades unicas da linguagem de graphic novel que nao podem ser completamente transpostas.
    O consumo de graphic novels eh mais baseado em tempo de leitura, mais proximo de literatura nesse sentido que cinema, animacao e teatro.
    Por isso Watchmen pode ser tao complexo:
    Porque existe tempo apra elaborar os conceitos, fora desse tempo eh como experar Noam Chomsky explicando a politica externa dos EUA em 10 minutos. Pode atehs er feito mas como dizia o Moore:
    “Olha alguem pode dizer em 10 palavras ‘Moby Dick eh sobre um aleijado atras de uma baleia’. mas supostamente Herman Melville escreveu um livro de 800 paginas porque queria dizer um pouco mais que isso.

  5. adriano Says:

    Enfim…
    minha opiniao sobre Watchmen eh bem simples:
    Existe apenas um:
    A graphic novel.

    E soh.

  6. ana luiza Says:

    hehehe
    gente, não conhecia essa foto… isso é que dá não ir a própria formatura…

    tb vi o filme e postei lá no blog…

    beijos

  7. Filme “Watchmen” chega ao DVD. Vale alugar? | OutrOs OlhOs Says:

    […] de quadrinhos caem mais no gosto de quem não leu o original (mesmo que existam fãs da HQ que gostaram do que viram). Será difícil para quem não conhecer a história em quadrinhos entender […]

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